O sabor de uma história: o queijo de Zé Célio

Conheça a história do queijo mais famoso de Brumal
‘Aceita um cafezinho?’ Talvez essa seja a expressão mais usada em território mineiro. Seja nas grandes cidades do estado ou, principalmente, no interior, é comum famílias se reunirem com um café sempre à mesa. No entanto, ele nunca está sozinho. Seu melhor amigo, o queijo, também aparece!
E é assim também em Brumal, região de Santa Bárbara, interior mineiro. O queijo atrai muitos turistas à região e os próprios moradores não precisam ir muito longe para encontrarem fazendas e produtores locais que focam no derivado do leite. Entre eles está José Célio dos Santos. E assim como o queijo, sua história começa há anos!
Aos 70 anos, o produtor rural passou 26 anos trabalhando na antiga Companhia Vale do Rio Doce, onde foi maquinista. Quando se aposentou, decidiu voltar os olhos para a propriedade que já tinha, o Sítio Santos, em Brumal, e comprou algumas vacas para iniciar uma nova atividade.

No começo, produzia queijo minas frescal. A mudança veio a partir de um convite da Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural) para uma reunião no Santuário do Caraça, onde palestrantes apresentaram o Queijo Minas Artesanal produzido tradicionalmente na região. Zé Célio se encantou com a proposta de valorizar aquele modo de fazer e decidiu mudar sua produção.
“Foi a melhor escolha que fiz, pois me encontrei nessa arte de curar queijos”, conta. José Célio fez questão de se profissionalizar também. Com cursos reconhecidos pela Emater e pela Universidade Federal de Viçosa, o produtor deixou o amadorismo e se aprofundou cada vez mais no produto.

O tempo como ingrediente
Se existe uma palavra que define o trabalho de Zé Célio, ela é paciência. A queijaria produz exclusivamente queijo curado, seguindo técnicas tradicionais e utilizando o pingo, fermento natural produzido na própria queijaria e reaproveitado diariamente.
“A principal tradição que mantenho é o respeito ao tempo e ao processo natural. Não tenho pressa”, explica.
O queijo começa a ser produzido logo cedo, depois da ordenha. O leite cru, ainda morno, é coado e recebe o pingo e o coalho. Depois da coagulação, a massa é cortada, dessorada e colocada nas formas manualmente. A salga é feita a seco, com sal grosso, e o queijo permanece por cerca de três dias na sala de produção antes de seguir para a cura.

Na etapa seguinte, os queijos são colocados em prateleiras de madeira e passam pelo processo de maturação. São virados diariamente e acompanhados de perto até alcançar o ponto ideal.
Diferentemente de grandes produções, Zé Célio não se preocupa com a competividade de grandes empresas. Afinal, todos os seus produtos passam pelos seus olhos e, como todo mineiro gosta, aquilo que é feito com carinho e dedicação, se destaca.
Você pode pensar que o queijo é como qualquer outro produzido em Minas Gerais, mas não é. Santa Bárbara e região é impactada por grandes auxiliadores nesse processo: o clima de montanha, a altitude, a pastagem nativa e a água pura! Entre Serras da Piedade ao Caraça, o local é propício para a produção do queijo, o que influencia diretamente o sabor encontrado ali dos restantes.
Prêmios e destaque nacional
A confirmação se mostra pelas duas medalhas no Prêmio Queijo Brasil: bronze em 2024 e prata em 2025, nas edições realizadas em Blumenau (SC). Sobre a premiação, o proprietário reconhece: “mostram que todo o esforço, o cuidado na produção e a dedicação diária valem a pena.”
Zé Célio estava no evento do Produtor Rural, festa que a partir de 2026 aconteceu com o apoio da prefeitura de Catas Altas. Ele nos contou um pouco sobre a produção do queijo e muito mais!
E há uma particularidade nessa história: Zé Célio não herdou uma tradição familiar de produção de queijos. Ele é a primeira geração da família nessa atividade e construiu seu conhecimento por meio de cursos e capacitações, incluindo formação em Queijo Minas Artesanal pela Universidade Federal de Viçosa e treinamento em Boas Práticas de Fabricação pela Emater.
Hoje, o desafio é conciliar a delicadeza de uma produção artesanal com as exigências de administrar um negócio. Mão de obra qualificada, logística, regularização sanitária e as oscilações do clima fazem parte da rotina. Mas mesmo entre desafios, ele continua fazendo o que pode para levar o sabor do queijo para todas as mesas da região!